Política — 20 de junho de 2026
Pesquisadores franceses criam anticorpo que combate resistência do câncer de pâncreas à quimioterapia, melhorando prognósticos.
Cientistas franceses do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), do Centro Léon Bérard e da Universidade Claude Bernard Lyon 1 desenvolveram um anticorpo chamado NP137 que combate a resistência do câncer de pâncreas à quimioterapia. O anticorpo foi liderado pelo pesquisador Patrick Mehlen, que explicou que o NP 137 atua como um tratamento coadjuvante e é capaz de bloquear um dos mecanismos de resistência das células cancerígenas.
O câncer de pâncreas é um dos mais letais e a taxa de sobrevida é baixa, cerca de 13% dos pacientes estão vivos cinco anos após o diagnóstico, de acordo com dados da Sociedade Americana do Câncer. No entanto, novas terapias, como o anticorpo NP137, podem melhorar os prognósticos.
O anticorpo NP137 foi testado em 43 pacientes e não revelou sinais de toxicidade. Além disso, em alguns pacientes, os cânceres até mesmo diminuíram. Após as análises de biópsias tumorais antes e depois do tratamento, os cientistas também verificaram que o anticorpo bloqueava os processos celulares que levam ao câncer e melhorava a resposta à quimioterapia.
Os cientistas também observaram que, nos pacientes que apresentam o receptor da netrina-1, a sobrevida aumentou e houve menos recaídas após a quimioterapia. Os dados mais recentes, apresentados no congresso da Associação Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, mostram que o anticorpo permite que a quimioterapia funcione por mais tempo e com maior eficácia.
A quimioterapia e as imunoterapias tendem a eliminar células que se multiplicam rapidamente, mas algumas células cancerígenas se tornam menos sensíveis aos medicamentos. O número de pacientes que podem ser operados após o tratamento também cresceu. Em geral, apenas cerca de 6% das pessoas com câncer de pâncreas avançado se beneficiam da cirurgia após a quimioterapia.
Esse número chega a 23% no total e pode atingir 40% entre aqueles que apresentam o receptor da netrina-1. A próxima etapa da pesquisa, que deve durar alguns anos, é comparar os resultados da quimioterapia isolada com os da quimioterapia combinada, incluindo o novo anticorpo.
Além do câncer de pâncreas, o tratamento também poderá ser aplicado a outros tipos de tumor, como os de cabeça e pescoço, combinando o anticorpo com imunoterapia.
A expectativa é que o novo medicamento, chamado daraxonrasib, esteja disponível já em 2027 e possa revolucionar o tratamento contra a doença. A nova molécula atua nas mutações do gene KRAS, presentes em cerca de 90% dos pacientes que têm câncer de pâncreas.
A equipe de cientistas desenvolveu um anticorpo terapêutico capaz de inibir a ação de uma proteína chamada netrina-1, que ajuda as células cancerígenas a adquirir a capacidade de migrar e resistir aos tratamentos. O estudo foi conduzido com 43 pacientes com câncer de pâncreas chamado localmente avançado, ou seja, quando o tumor já se espalhou dentro do pâncreas, mas ainda não atingiu outros órgãos.
Nossa descoberta abre muitas perspectivas para o tratamento de pacientes com câncer de pâncreas. Nosso anticorpo não concorre com o daraxonrasib, eles estão em sinergia. A ideia no futuro é justamente associar essas duas moléculas para ampliar ainda mais a sobrevida dos pacientes.
A pesquisa está centrada em um processo celular importante durante o desenvolvimento embrionário e mais especificamente por um mecanismo que permite que as células se desloquem. Esse processo tem um nome um pouco técnico, chamado EMT, transição epitélio-mesenquimal. É um termo complicado, mas, basicamente, ele permite que a célula mude de forma e saia de um lugar para ir para outro. Ele é essencial durante o desenvolvimento.
A transição epitélio-mesenquimal (EMT) é um processo celular que permite que as células se desloquem e invadam outros tecidos. Esse processo é importante durante o desenvolvimento embrionário e também é implicado no câncer. As células cancerígenas podem usar a EMT para se tornar mais móveis e invadir outros tecidos, formando metástases.
Fonte: Cientistas franceses criam anticorpo que combate a resistência do câncer de pâncreas à quimioterapia